Futebol

 

Túnel do tempo

 

A construção do campinho da Rua Nova

 

 

José Silvério de Carvalho

 

No Ano de 1956, os Meninos da Rua Nova, juntamente com amigos do Gaspar, jogavam uma pelada, sempre em frente à minha casa, todos os dias.
Era uma alegria infinita, mas incomodava, com vizinhos reclamando de barulho, bola caindo nos quintais das casas, etc.

Um belo dia estávamos sentados do outro lado da rua, de frente para o pasto que hoje é de Bodão, não haviam casas na rua como é hoje. Ficamos observando lá embaixo e comentamos que um campinho naquele local seria a solução dos nossos problemas.
Naquele tempo, Didico de Dona Maria Cota, arrendava aquele terreno onde colocava vários de seus cavalos para pastar. Sabíamos que Didico administrava aquele terreno e só ele poderia nos autorizar a fazer o campinho. O problema era quem iria conversar com ele e fazer o pedido. Nós todos afinamos, mas apareceu um menino menor do que nós e teve peito para fazer o pedido diretamente ao Sr. Didico.
Quem foi ele? Branco, irmão de Nivota e Ademir.
Sem qualquer cerimônia, realizou o pedido.
Didico com muita gentileza e boa vontade nos autorizou a transformar uma parte do seu terreno no "Famoso" Campinho da Rua Nova".

Com a autorização, a meninada se organizou para a empreitada.
Nunca vi na minha vida tanta pá, picareta, enxada, enxadão, facão, carrinho de mão, alegria e algazarra.
Um dos grandes desafios da nossa jornada foi arrancar um enorme pé de "mexerica candongueira" que se encontrava localizada exatamente no centro do campinho. Depois de muito “cavacar”, chegamos à conclusão que estava difícil demais e resolvemos comprar 2 litros de gasolina e metemos fogo no Gigante. Aí ficou mais fácil, arrancamos e arrastamos com cordas e jogamos no Ribeirão.
Faltavam as traves. Pegamos o facão e do bambuzal à beira do ribeirão, retiramos o necessário.
Em dois dias estava pronto o nosso tão sonhado Campinho.
Nossos pais fizeram uma vaquinha e compramos na Loja do Sr.Ernesto de Souza, a nossa primeira Bola.

Depois da "Lua de Mel" das primeiras peladas, nos reunimos e ficou acertado que faríamos um Torneio Quadrangular para marcar oficialmente a Inauguração do Campinho.
Convidamos os Times dos Bairros da Fábrica, Baixada e Santa Cruz da Bananeira.

Os confrontos ficaram assim:
Rua Nova X Fábrica e Santa Cruz X Baixada.
Os vencedores fariam a final do torneio, havendo empates a decisão iria para os pênaltis;
O time da Rua Nova era muito forte e arrasou o time da Fábrica por 12 X 3. No segundo jogo a equipe do Santa Cruz derrotou a Baixada 3 X 2.
A final foi Rua Nova X Santa Cruz.
A equipe da Rua Nova tinha os seguintes jogadores : Paulinho Rebeca(Irmão de Vaquinha Goleiro do AFC, Adair de Juquita, Tatim, Fernando Rodrigues, Chico de Nelson, Fabinho, Marcelo de Zé Faustino, Vidrilho, Dinho de Quinzin, Bené de Campeão e Zé de Inhozito.
Para evitar confusão, Juiz adulto no apito.
A Bola do jogo era de borracha vermelha e queimava o pé da gente que era uma beleza.
Antes do início da decisão, João Peida Fogo, goleiro do Santa, pegou um pedaço de pau e desenhou uma Cruz dentro do seu gol e gritou alto para todo mundo ouvir : - Aqui hoje não passa nada!!

Ficamos assustados e preocupados, mas nosso time era muito superior.
Bola rolando, começou o massacre.
Alugamos o meio de campo e partimos pra cima, mas esbarramos em João Peida Fogo, que fechou o gol do Santa, conforme prometera.
Várias bolas na trave, zagueiro salvando em cima da linha, João pegando tudo e nada de gol.


O Juiz já consultava o seu relógio "Lanco Modelo 11", foi quando já no desespero, com a unha do dedão, meia grande, larguei um bicudão pra gol. João Peida Fogo já se preparava para mais uma “ponte”, de repente a bola de Borracha partiu no meio, indo metade para um canto e a outra metade no outro canto.
João Peida Fogo ficou doido,agarrou firme uma metade e a outra entrou no outro canto.
O Juiz validou o gol e João Peida Fogo virou uma fera, partindo pra cima de mim e me agarrou pelo pescoço gritando:
- Que gol?? Que gol é esse, metade da bola está aqui comigo!!
Respondi :
- Mas a outra metade entrou.
João retrucou :
_ E daí?
À partir daí, muita confusão, o bicho pegou, muita pancadaria, arrancaram as traves e foi preciso a intervenção de adultos para acalmar os nervos.
No fim das contas vencemos pelo inédito placar de “Meio” a Zero.
Essa foi a história da criação do campinho da Rua Nova que me lembro com muita alegria e satisfação.


Um abraço a todos os Alvinopolenses.

 

Contato : josesilverio.carvalho@gmail.com

José Silvério de Carvalho (Vidrilho).

 

 

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